Soa a trompa
para dar abertura
às bundas nuas
aos ursos
correndo
livres notas
presas à alguma topografia
que também percorre seu caminho
embora muito mais lenta
embora muito mais
sozinho seja eu
prisioneiro das escalas humanas
Tantas ferramentas
os desenhos
a dança das mãos
que falam
sob conversas
seus próprios discursos
(
volta a soar
a trompa, talvez
aquela da quinta sinfonia de Tchaikovsky)
E equações tão terrívelmente abstratas
que percamos a certeza metafísica
de estarmos no caminho certo
(para construir uma ponte não se faz necessária a Metafísica
além da de costume, é claro
(é preciso o sal de alguns homens
e de outros não)
)
Páginas completas de símbolos
cuja compreensão exige do homem
um pouco de café
para queimar os lábios;
lembrar que é filho da Terra
e que corre como os ursos
correm os ursos
sem metafísica
O Universo é estranho
O homem tem de inventar sua corrida
para algum lugar
para dar de comer a sua família
para se isolar
para atravessar a rua
em círculos
em linha reta
até o fim
Corre, homem
que quando tua sombra te alcançar
tu
ofegante
sorrindo, decerto
botará a mão no peito,
descasdado à nudez,
e dirá a si mesmo
segunda-feira, 6 de julho de 2015
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