terça-feira, 23 de junho de 2015

Nu em verso

U N I  V   E     R        S             O

Um verso

(1)                                                                                                            osrevnI


Só, em um verso
Ver (só) um

Eles, universalmente sós,
Os revi, nus
e eu
o inverso de mim mesmo
um universo dentro do outro
1 verso por vez
me puxo de dentro pra fora




U             N        I     V   E R S O



U        N     I   V  E   R     S        O






quinta-feira, 18 de junho de 2015

Bóia

Minha mente é bóia no mar
o vento não sei quem é, mas
assobia incessante
Abaixo em silêncio 
o tal Mistério Profundo
e eu a lançar ideias

Uma bola colorida
arqueia o lápis-lazúli
e amerissa na espuma
branca, fractal, quase láctea

Não alcanço a areia
acalmo as ondas
volto a soprar


quarta-feira, 17 de junho de 2015

Análise da Pedra em Sísifo

Somos heróis do Nada
e faz mais de século
que seguimos Sísifos,
órfãos

Como pode um homem
    [terminar seu relatório
    [sabendo que será devorado
    [pelas escalas incompreensíveis
    [do Mundo?

Talvez por ser vivo
emaranhe-se
por suas camadas

Eu quebro a pedra
recursivamente
até onde vão os meus olhos

pedras

Não há seixo
Não me lembra um ovo
Não me promete segredos
Não acalma a palma da minha mão

A pedra é coerente
mas nunca amou ninguém






terça-feira, 16 de junho de 2015

I

O tempo
pelas dobras de um dedo
enrugado, curvo
aponta
para outro assunto

Sem tergiversar
no centro, reto
sobre planices
ausentes ainda na preensão nascitura
o espaço

Preso nas palavras
o contrário de tudo o que é
dito solto
em intervalos
de uma boca imóvel, incorpórea

E agora
eu
você
livres tão somente
formos
II