terça-feira, 26 de maio de 2015

Mármore, metal e plástico

Nossos restos serão
para outras criaturas
como nos são
as pinturas rupestres

Não sei ao certo
se vêm rastejando
sem poder entender
Flutuando, talvez
com olhos, bocas
narizes
para o cheiro metálico dos destroços

Ficarei feliz se sobrar
som de gargalhada
o silêncio que habita
a pausa
nas conversas

Há de lhes ocorrer
mesmo na ausência de face
certo franzimento
ao descobrirem
que o Vazio
também nos era predador

E nem por isso
deixamos de amar










segunda-feira, 18 de maio de 2015

Autocolorido

Exploda em cores
planeta Terra
sacuda a água das asas de um flamingo
invente mais uma flor

Em suas tempestades terríveis
assassine trezentos e vinte mil
animais inocentes
Mas faça também noite calma
e na manhã seguinte
em curvas telas de rocio
reflita o nascimento
de um cogumelo
por entre as frestas de uma pedra
que assistiu aos primeiros homens

Estou nessa luta contigo
meu planetinha
Mesmo que sejam inuteis
todos os nossos esforcos
coloriremos uma fração
desse imenso Nada
(sinto o frio nos ossos)

Deixe-me deitar
nessa grama quente
e olhar pro céu;
ver naquela nuvem
o amor da minha mulher

De qualquer forma
somos absurdos
E voce reproduz
em oásis de um deserto
o distanciamento que há
entre aglomerados de galáxias
(ou corações humanos)

Caminho inebriado
pelos vapores
das suas autossemelhanças
O arrepio retorna
em meu peito
e um dia há de exigir
que eu me dissolva
e lhe devolva
um corpo cansado

Em meu quarto
deito a cabeça
e me cubro
(as orelhas inclusive)
Quando ele chega
respiro
e insisto em ser
por mais que o pássaro
inveitalmente
se perca na revoada