terça-feira, 21 de abril de 2015

Amor difuso

Juliana,
sei que te amo
pois não me falta coragem
para falar
aos teus olhos
a mesma poesia que escrevo 

porque não sou outro
senão eu mesmo

Nu,
giro junto
com tudo o que gira
E não entendemos
(talvez jamais)

E nada disso importa
quando somos 
um só corpo
grito abafado
afirmante
da nossa não desistência
da nossa luta antientrópica

Interrompes minhas abstrações
com um sorriso
e me apontas as flores
         [no quintal daquela casinha:
são lindas

Toda essa beleza
me dói
E me acalma

Fantasio me cercar de flores
para que do lusco-fusco
eu me proteja 
em tua esperança
e à noite,
já cansado,
me recoste em teu coração vermelho




terça-feira, 7 de abril de 2015

Logus

A natureza, de sua indiferença,
criou o homem

Ao ver quão bela era,
se espantou.

sábado, 4 de abril de 2015

Reverência

Do alto da Avenida Niemeyer
da janela do meu ônibus
vi um pescador

um homem minúsculo
um oceano imenso

Fosse meu ônibus espacial,
seria o oceano minúsculo
e o homem
para todos os fins práticos,
nada

Mas em meu assento
sinto-me por um instante de pé
ao lado do pescador
E a brisa que entra pela janela quebrada
me faz pensar que estou dando risada
com aquele homem
esperando um peixe
que não importa

Estabeleço aqui
nesse ônibus,
que carrega meu povo sofrido,
uma presença universal
logo antes do meu ponto chegar

Segue o ônibus para o Centro
e eu parado no calçadão
As pessoas lá se movem
paradas,
diminuindo com a distância