da janela do meu ônibus
vi um pescador
um homem minúsculo
um oceano imenso
Fosse meu ônibus espacial,
seria o oceano minúsculo
e o homem
para todos os fins práticos,
nada
Mas em meu assento
sinto-me por um instante de pé
ao lado do pescador
E a brisa que entra pela janela quebrada
me faz pensar que estou dando risada
com aquele homem
esperando um peixe
que não importa
Estabeleço aqui
nesse ônibus,
que carrega meu povo sofrido,
uma presença universal
logo antes do meu ponto chegar
Segue o ônibus para o Centro
e eu parado no calçadão
e eu parado no calçadão
As pessoas lá se movem
paradas,
diminuindo com a distância

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