sábado, 4 de abril de 2015

Reverência

Do alto da Avenida Niemeyer
da janela do meu ônibus
vi um pescador

um homem minúsculo
um oceano imenso

Fosse meu ônibus espacial,
seria o oceano minúsculo
e o homem
para todos os fins práticos,
nada

Mas em meu assento
sinto-me por um instante de pé
ao lado do pescador
E a brisa que entra pela janela quebrada
me faz pensar que estou dando risada
com aquele homem
esperando um peixe
que não importa

Estabeleço aqui
nesse ônibus,
que carrega meu povo sofrido,
uma presença universal
logo antes do meu ponto chegar

Segue o ônibus para o Centro
e eu parado no calçadão
As pessoas lá se movem
paradas,
diminuindo com a distância


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