terça-feira, 21 de abril de 2015

Amor difuso

Juliana,
sei que te amo
pois não me falta coragem
para falar
aos teus olhos
a mesma poesia que escrevo 

porque não sou outro
senão eu mesmo

Nu,
giro junto
com tudo o que gira
E não entendemos
(talvez jamais)

E nada disso importa
quando somos 
um só corpo
grito abafado
afirmante
da nossa não desistência
da nossa luta antientrópica

Interrompes minhas abstrações
com um sorriso
e me apontas as flores
         [no quintal daquela casinha:
são lindas

Toda essa beleza
me dói
E me acalma

Fantasio me cercar de flores
para que do lusco-fusco
eu me proteja 
em tua esperança
e à noite,
já cansado,
me recoste em teu coração vermelho




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