terça-feira, 26 de maio de 2015

Mármore, metal e plástico

Nossos restos serão
para outras criaturas
como nos são
as pinturas rupestres

Não sei ao certo
se vêm rastejando
sem poder entender
Flutuando, talvez
com olhos, bocas
narizes
para o cheiro metálico dos destroços

Ficarei feliz se sobrar
som de gargalhada
o silêncio que habita
a pausa
nas conversas

Há de lhes ocorrer
mesmo na ausência de face
certo franzimento
ao descobrirem
que o Vazio
também nos era predador

E nem por isso
deixamos de amar










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